Como abrir uma empresa do zero no Brasil em 2024?

Por: Marcela Couto

Mulher negra de cabelos cacheados sorri para o celular. Ela está de avental, indicando ser uma empreendedora pesquisando como abrir uma empresa.

Pontos principais do artigo:

  • Aprender como abrir uma empresa no Brasil tem se tornado mais simples, já que o Governo vem investindo em digitalizar o processo e facilitar a vida do empreendedor;
  • Para criar uma empresa do zero hoje é preciso consultar a prefeitura, fazer o registro na Junta Comercial, abrir um CNPJ e pedir as licenças e alvarás;
  • Para quem quer abrir um Microempreendedor Individual (MEI), o processo é ainda mais simples e pode ser feito 100% online em pouco minutos;
  • Se quiser vender pela internet, é possível começar o seu negócio criando uma loja virtual grátis na Nuvemshop em poucos minutos, com ou sem CNPJ.

Por muito tempo, abrir uma empresa no Brasil foi sinônimo de várias etapas burocráticas e uma papelada sem fim. Mas acredite: esse cenário está mudando e está cada vez mais fácil ter seu próprio negócio hoje em dia.

Se você tem o sonho de empreender, é provável que já tenha encontrado outros conteúdos sobre o assunto e visto que existem informações contraditórias, documentos que nem existem mais ou, até mesmo, processos que não se aplicam à sua cidade e tipo de empresa.

Por isso, reunimos aqui tudo o que é necessário para abrir uma empresa atualmente, considerando as diferentes realidades dos empreendedores. Você vai entender como abrir uma empresa com ou sem sócios, quanto custa, quais são as etapas, quem pode fazer, se precisa de contador e muito mais.

Então, reserve alguns minutos para a leitura e tire todas as suas dúvidas de uma vez só! ⏳

Como abrir uma empresa no Brasil?

Aprender como abrir uma empresa pode parecer uma tarefa difícil, principalmente quando você se lembra de toda a burocracia envolvida. Mas, felizmente, nosso país melhorou muito nesse quesito e vem buscando facilitar a vida do empreendedor na hora de formalizar seu negócio.

Nos últimos anos, o Governo Federal vem substituindo a papelada por processos 100% online, o que garante mais integração entre os sistemas dos órgãos e evita que o empreendedor tenha que peregrinar de balcão em balcão.

E acredite: já melhorou muito! O que antes levava meses, hoje pode ser feito em uma questão de dias — e isso faz toda a diferença para quem quer começar a lucrar o quanto antes. De acordo com o Mapa de Empresas, o tempo médio para abrir uma empresa no Brasil em 2023 é de apenas 1 dia e 2 horas.

Graças a isso, o passo a passo para abrir uma empresa no país tem ficado mais simples, como vemos no infográfico:

Infográfico que mostra como abrir empresa no Brasil passo a passo.

Então, se você já tem uma boa ideia de negócio e um planejamento pronto, não se preocupe: entender como abrir uma empresa será a parte mais fácil, como veremos ao longo deste artigo.

💡 Saiba mais: Abrir empresa online: como fazer o processo pela internet

Passo a passo para abrir uma empresa do zero

Chegamos ao tão esperado momento de ver com todos os detalhes o que é necessário para abrir uma empresa. Lembrando que essas etapas são pensadas para empresas individuais e sociedades empresárias de diversos tipos e áreas de atuação.

No geral, o passo a passo de como abrir uma empresa do zero é:

  1. Tenha um plano de negócios;
  2. Defina o nome da empresa;
  3. Escolha o ramo de atividade;
  4. Escolha o modelo de negócio;
  5. Defina a natureza jurídica e regime tributário;
  6. Consulte a viabilidade;
  7. Elabore um contrato social;
  8. Faça o registro na Junta Comercial;
  9. Peça o CNPJ;
  10. Faça a inscrição estadual ou municipal;
  11. Obtenha alvarás e licenças;
  12. Faça o cadastro na Previdência Social;
  13. Registre a sua marca.

Preparado? Então, vamos lá!

1. Comece pelo plano de negócios

O plano de negócios funciona como um roteiro que descreve todo o funcionamento, estrutura e recursos necessários para abrir sua empresa. Veja o que não pode faltar nesse documento:

  • Identificação do negócio: como o nome e o segmento da empresa;
  • Público-alvo: para quem você pretende vender e se está mirando em um nicho de mercado específico;
  • Descrição do produto ou serviço: assim como seus diferenciais e valor que será entregue ao cliente;
  • Canais de venda: definição dos canais que serão usados para levar o produto ou serviço até os clientes;
  • Estratégia de precificação: definição do valor de venda do produto para garantir lucro e competitividade;
  • Análise de mercado: com direito a análise SWOT (panorama de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças);
  • Análise de concorrência: para mapear concorrentes diretos e indiretos da sua empresa;
  • Estratégia competitiva: detalhando passo a passo como sua marca vai se posicionar no mercado;
  • Capital social: ou seja, o valor que será necessário investir para iniciar as atividades;
  • Capital humano: caso seja necessário realizar contratações de funcionários;
  • Plano operacional: descrição dos processos da empresa da produção à venda;
  • Planejamento financeiro: incluindo projeções de fluxo de caixa para os primeiros meses;
  • Plano de marketing: com todas as ações previstas para divulgar a marca.

💡 Saiba mais: Modelo de plano de marketing pronto gratuito

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2. Crie o nome da empresa

Em seguida, um dos seus grandes desafios será criar um nome original, sonoro e fácil de memorizar para a sua empresa. Pode ser uma única palavra, um nome próprio, uma expressão, uma sigla ou o que combinar mais com o seu negócio.

Mas, antes de bater o martelo, é importante pesquisar se o nome está disponível, pois essa será a identidade da sua empresa no mercado — e não dá para cometer plágio nessa hora, certo? Se faltar criatividade, você pode recorrer a ferramentas na internet que ajudam na inspiração.

💡 Saiba mais: Ideias de nomes para empresas [+ ferramenta grátis]

👉 Ferramenta grátis: Gerador de Nomes

3. Escolha o ramo de atividade

O ramo de atividade é outra decisão fundamental na hora de montar empresa. Além dos grandes setores da economia (indústria, comércio, serviços, agricultura e construção civil), existe uma infinidade de segmentos nos quais sua empresa pode ser enquadrada de acordo com suas atividades.

No Brasil, esses ramos são identificados por um código chamado CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Aqui, você vai precisar da ajuda de um contador para escolher um ou mais códigos e registrar seus CNAEs no momento da solicitação do CNPJda empresa.

Atenção: um CNAE errado pode mudar suas regras tributárias e aumentar seus impostos, ou até mesmo gerar multas por incompatibilidade com as atividades. Por isso, não deixe de contar com o suporte de um profissional.

💡 Saiba mais:

4. Planeje o modelo de negócio

O modelo de negócio é basicamente a forma como sua empresa vai funcionar e gerar lucro. Veja alguns pontos que você precisa definir:

  • Se vai abrir uma loja física ou virtual;
  • Se vai trabalhar com estoque próprio ou no modelo dropshipping (estoque e logística terceirizados para o fornecedor);
  • Caso seja uma loja virtual, se vai funcionar em um marketplace (um tipo de shopping virtual com vários lojistas na mesma plataforma) ou usar uma plataforma de e-commerce própria, como a Nuvemshop;
  • Se a empresa vai operar com vendas pontuais ou vendas recorrentes (modelo de planos e assinaturas).

💡 Saiba mais: O que é empresa familiar e como funciona?

Inclusive, existe uma ferramenta chamada Lean Canvas (Quadro Enxuto, em português) que você pode usar para definir seu modelo de negócio com base em métricas-chave, canais de venda, segmento de clientes, proposta de valor etc.

Ela foi inspirada no Business Model Canvas (Quadro de Modelo de Negócios, em português) e é muito usado por startups, pois sintetiza tudo o que você precisa planejar em um único quadro de forma visual e objetiva.

Veja um exemplo:

Modelo com a tabela do Lean Canvas

5. Defina a natureza jurídica e o regime tributário

É essencial ter um contador ao seu lado para escolher a natureza jurídica e o regime tributário da sua empresa. Independentemente se você pretende abrir uma empresa individual (EI, EIRELI, SLU etc.) ou uma sociedade (LTDA, SA, SS etc.), esse profissional saberá indicar o melhor caminho para o seu negócio. Veremos mais sobre esses termos ao longo do artigo!

6. Consulte a viabilidade do negócio

Em todo o país, as prefeituras exigem uma análise de viabilidade para autorizar o funcionamento de negócios em determinadas regiões do município. Então, antes de definir onde sua empresa irá funcionar, é fundamental fazer a consulta do endereço e solicitar o aval do órgão pelo site da Prefeitura.

Dependendo das suas atividades, a prefeitura pode ou não permitir que o negócio funcione no local indicado. Por exemplo, indústrias que produzem muito ruído não podem ser instaladas próximas a zonas residenciais.

💡 Saiba mais: Como abrir uma empresa de e-commerce

7. Elabore o contrato social

O contrato social é um dos documentos essenciais para abrir empresa. Ele é basicamente a certidão de nascimento do seu negócio, que deve conter:

  • Dados pessoais de todos os sócios;
  • Denominação, objeto, sede e prazo da empresa;
  • Capital social, incluindo dinheiro e bens investidos no negócio;
  • Descrição da quota de cada sócio no capital social e como ela foi incorporada;
  • Obrigações e responsabilidades dos sócios;
  • Responsável pela administração do negócio;
  • Participação de cada sócio nos lucros e nas perdas.

No caso do Empresário Individual (EI), o contrato é substituído por um Requerimento de Empresário, enquanto a EIRELI deve registrar um documento chamado Ato Constitutivo — ambos com a mesma função do contrato social.

💡 Saiba mais: O que é e quais as vantagens de fazer um contrato social?

8. Registre-se na Junta Comercial

Com o contrato social pronto, a empresa já pode ser registrada na Junta Comercial ou Cartório de Registro de Pessoa Jurídica — os órgãos responsáveis pelo registro de atividades empresariais no país. Geralmente, quem faz esse trâmite é o contador, que já tem a experiência necessária para apresentar os documentos e agilizar o processo.

Nesse momento, será preciso recolher as taxas obrigatórias — normalmente, as Juntas Comerciais cobram o DARE (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais), que permite recolher os impostos estaduais.

9. Solicite o CNPJ

Felizmente, a integração digital entre as Juntas Comerciais e a Receita Federal já permite que o CNPJ seja solicitado automaticamente após o registro da empresa em alguns estados. Caso contrário, será preciso solicitar o cadastro junto à Receita por meio de uma Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ).

O registro do CNPJ é feito exclusivamente pela internet, no site da Receita Federal por meio do Documento Básico de Entrada (DBE), disponível no portal Redesim. Caso tenha outras dúvidas relacionadas, o contador saberá instruir você para evitar problemas nessa etapa importantíssima da formalização da sua empresa.

10. Faça a inscrição estadual ou municipal

Se você abrir um comércio, terá que fazer a inscrição estadual, pois irá recolher o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é um imposto de competência dos estados. Geralmente, ela é feita pela internet na Secretaria da Fazenda do seu estado (ex: Secretaria da Fazendo e Planejamento de São Paulo).

💡 Saiba mais: O que é substituição tributária, quais os tipos e como aplicar?

Se abrir uma empresa de prestação de serviços, deverá fazer a inscrição municipal, já que o ISS (Imposto Sobre Serviços) é recolhido pelas prefeituras. O processo é feito pela internet na secretaria de finanças da Prefeitura (ex: Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo). Se o negócio exercer as duas atividades (comércio + serviço), você terá que fazer as duas inscrições.

Essa etapa é importante para regularizar sua empresa e viabilizar a emissão de nota fiscal. Assim que seu empreendimento tiver a sua inscrição, você poderá emitir os documentos fiscais a cada venda por meio do sistema do governo ou de softwares emissores integrados.

Importante: se você emite NF-e, vai precisar comprar um certificado digital para se autenticar no sistema e emitir suas notas fiscais.

💡 Saiba mais: Como emitir nota fiscal eletrônica

11. Obtenha alvará e licenças (se necessário)

Uma das últimas etapas para abrir sua empresa é solicitar o alvará e as licenças, se necessário. O alvará de funcionamento é o documento emitido pela prefeitura que autoriza definitivamente o início das operações da empresa, quando obrigatório.

No entanto, a boa notícia é que a Lei da Liberdade Econômica, vigente desde setembro de 2019, determina que todas as empresas que exercem atividades de baixo risco não precisam mais desse alvará para funcionar. A maioria dos segmentos que conhecemos entram nessa categoria, como padarias, mercados, restaurantes, estabelecimentos de estética, escolas, confecções, lavanderias etc.

Alguns outros negócios que também estão dispensados dessa obrigação são:

  • Negócios que funcionam na própria casa do empreendedor;
  • Negócios que funcionam de forma digital;
  • Ou em espaços de até 200 metros quadrados com no máximo 100 pessoas.

Outra notícia ótima é que a MP 1.040/2021, citada anteriormente, prevê a emissão automática de licenças e alvarás de funcionamento para empresas que atuam com atividades de risco médio (ex: fabricação de açúcar, fabricação de tintas, transporte rodoviário de carga).

Agora, se a sua empresa exerce uma atividade de alto risco (fabricação de arroz, comércio de medicamentos, atividades veterinárias, etc.), ainda será preciso passar por uma vistoria e um processo de fiscalização da prefeitura. Já as licenças são obrigatórias para empresas cujas atividades envolvem riscos ambientais e trabalhistas.

Os postos de gasolina, por exemplo, precisam de licenças de implantação e análises técnicas. Você pode conferir a classificação de risco de cada tipo de empresa na Resolução CGSIM Nº 62/2020.

💡 Saiba mais: O que é certificado digital MEI e como conseguir um?

12. Faça o cadastro na previdência social

Com a empresa pronta para operar e regularizada, falta só fazer o cadastro na Previdência Social. Essa etapa é obrigatória mesmo que a empresa não tenha funcionários e consiste no registro do negócio junto ao INSS.

O cadastro permite que você cumpra obrigações trabalhistas e previdenciárias, como o pagamento do INSS Patronal — tributo devido pelas empresas à Previdência Social — e o envio de informações de colaboradores pelo sistema eSocial — plataforma do governo que permite o envio unificado dos dados trabalhistas.

Para fazer o registro, basta ir até uma agência do INSS — o prazo para cadastramento é de 30 dias corridos após o início das atividades.

13. Registre a sua marca

Ufa! São muitas etapas para abrir uma empresa no Brasil, não é mesmo? Felizmente, chegamos ao final do nosso passo a passo e temos apenas uma recomendação para fazer: registrar sua marca para proteger sua identidade.

O registro deve ser feito no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e impede que qualquer pessoa utilize o nome ou logotipo do seu negócio indevidamente. Além disso, ele garante seus direitos e permite a cobrança de royalties — quantia paga pelo direito de uso da marca.

💡 Saiba mais: Como registrar uma marca?

Como abrir uma empresa MEI?

Preparamos um tópico à parte para os empreendedores que querem saber como abrir uma empresa MEI. Isso porque o processo é muito mais simples, pode ser feito 100% online e não se parece em nada com o procedimento de abertura dos outros tipos de negócio. Lembrando que, para abrir um MEI, você deve cumprir os seguintes requisitos:

  • Não ter sócios ou outra empresa em seu nome;
  • Faturar até R$ 81 mil por ano (2024);
  • Contratar no máximo um empregado;
  • Exercer uma das atividades da lista de ocupações permitidas.

Passo a passo para abrir MEI online

Para se formalizar e receber seu CNPJ MEI na hora, é só seguir este passo a passo:

Captura de tela do Portal do Empreendedor onde é possível abrir empresa MEI

  1. Acesse o Portal do Empreendedor;
  2. Clique em “Quero ser MEI”;
  3. Faça seu login na Plataforma gov.br (se não tiver cadastro, é só criar uma senha com seu CPF);
  4. Autorize o uso de seus dados pessoais pelo Portal do Empreendedor;
  5. Informe o número do recibo da sua última declaração do IR ou seu título de eleitor;
  6. Preencha as informações pessoais e da sua empresa (nome fantasia, capital social, endereço, atividade principal e atividades secundárias, forma de atuação etc.);
  7. Conclua sua inscrição e imprima seu Certificado de Microempreendedor Individual.

Simples assim!

💡 Saiba mais: Como abrir um MEI?

Documentos necessários para registrar sua empresa

A documentação exigida para abrir uma empresa depende do tipo societário que você escolher. Mas, existem alguns documentos básicos que você sempre terá que apresentar, como:

  • RG e CPF (normalmente, cópia autenticada);
  • Certidão de casamento (se aplicável) ou nascimento;
  • Comprovante de residência;
  • Última declaração do Imposto de Renda (IR).

Lembrando que, no caso das sociedades, todos os sócios deverão encaminhar esses documentos. Para profissionais que pretendem abrir uma Sociedade Simples, é preciso apresentar a carteira do órgão regulamentador da profissão (Ex: OAB, CREA, CFM etc).

Além disso, são exigidos alguns documentos referentes à futura empresa:

  • Comprovante do endereço comercial onde será instalada a sede do negócio;
  • Cópia do IPTU do imóvel em questão;
  • Requerimento Padrão (documento exigido pela Junta Comercial);
  • Contrato social ou ato constitutivo.

Quanto custa abrir uma empresa?

De modo geral, abrir uma empresa custa entre R$ 500 e R$ 2 mil, dependendo do tipo de negócio que você pretende formalizar. A forma mais barata de começar é como Microempreendedor Individual abrindo uma loja virtual, por exemplo.

Mas não é tão simples dizer quanto custa abrir uma empresa, pois os valores dependem do tipo de negócio, porte, taxas praticadas no estado ou município, entre outros fatores. Para você ter uma ideia, o custo de abertura de um negócio pode aumentar mais de 10 vezes entre uma cidade e outra.

De acordo com a pesquisa Doing Business Subnacional Brasil, feita pelo Banco Mundial, uma mesma empresa pode ter um custo de registro de R$ 51 em Campo Grande (Mato Grosso do Sul) e de R$ 2.202 em Cuiabá (Mato Grosso).

Em São Paulo, por exemplo, a Junta Comercial do Estado de São Paulo cobra R$ 94,18 para registrar um Empresário Individual (EI) e R$ 214,24 para registrar uma Sociedade Empresária. Mas existem outros custos que precisam entrar no cálculo, como registro de marca, contabilidade, alvarás e licenças (se necessário), além do próprio investimento inicial para começar as atividades

Como abrir uma empresa com pouco dinheiro?

Agora, se você está pensando em abrir uma empresa com pouco dinheiro, a melhor opção é o MEI, que tem custo zero para a formalização. O Microempreendedor Individual pode se registrar gratuitamente pelo Portal do Empreendedor e precisa pagar apenas uma guia mensal unificada composta pelos impostos reduzidos e pela contribuição ao INSS.

Um e-commerce também tem um custo inicial bem menor do que o de uma loja física, pois não é preciso investir em aluguel mobiliário, contratações, alvará e outros gastos que pesam no bolso do empreendedor.

💡 Saiba mais: Quanto custa abrir uma loja virtual em 2024? [guia]

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Quem pode abrir uma empresa?

De modo geral, qualquer pessoa maior de 18 anos com plena capacidade civil e sem impedimentos legais pode abrir uma empresa no Brasil. É mais fácil listar quem não pode abrir um CNPJ devido a outras atividades exercidas que não são compatíveis com a atividade empresária:

  • Militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares;
  • Funcionários públicos civis (União, Estados, Territórios e Municípios);
  • Magistrados;
  • Médicos, para o exercício simultâneo da medicina e farmácia, drogaria ou laboratório;
  • Estrangeiros não residentes no país;
  • Cônsules, salvo os não remunerados;
  • Corretores e leiloeiros;
  • Falidos, enquanto não reabilitados.

Quanto tempo leva para abrir empresa?

Também é importante saber quanto tempo leva para abrir uma empresa no Brasil. Afinal, isso vai te ajudar a se planejar melhor nesse início da jornada empreendedora. No Mapa de empresas, o Governo Federal afirma que o tempo médio de abertura de empresa em 2021 é de 1 dia e 2 horas em todo o país.

Mas é importante destacar que esse prazo diz respeito somente ao processo de formalização, que abrange o registro em Junta Comercial e liberação do CNPJ. De fato, essa parte está muito mais rápida devido à digitalização do Redesim do Governo e sua integração com os sistemas das Juntas Comerciais.

Considerando as etapas de registro, inscrição do CNPJ, obtenção de alvará e licenciamento, o tempo médio de abertura sobe para 15,4 dias, segundo o relatório do Banco Mundial mencionado anteriormente. Mais uma vez, existem exceções.

O MEI, por exemplo, pode se formalizar em poucos minutos pelo Portal do Empreendedor, enquanto uma empresa que atua com atividades de alto risco e precisa de diversas licenças pode levar meses no processo.

Qual tipo de empresa abrir?

Uma das primeiras dúvidas dos empreendedores de primeira viagem é qual tipo de empresa abrir, certo?

Na legislação, as organizações são classificadas conforme sua natureza jurídica — também chamada de tipo societário — que é basicamente um formato que define a estrutura e funcionamento do negócio de acordo com número de sócios, atividades, capital social etc.

Além disso, também existem diferentes portes de empresas com base no faturamento e número de funcionários. Confira os principais tipos e portes usados no Brasil:

Tipos de empresa por natureza jurídica

Estes são os principais tipos de empresa previstos na legislação por natureza jurídica:

  • Empresário Individual (EI): empresa individual (sem sócios) que não separa o patrimônio pessoal do empresarial, com capital social mínimo de R$ 1 mil;
  • Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): empresa formada apenas pelo titular com o patrimônio pessoal separado do empresarial e exigência de capital social de 100 salários mínimos vigentes;
  • Sociedade empresária limitada (LTDA): empresa formada por dois ou mais sócios que se organizam para prestar serviços e vender produtos, tendo por objeto social a atividade empresária, com os bens pessoais separados do patrimônio empresarial;
  • Sociedade simples: empresa formada por dois ou mais profissionais da mesma área de atuação para prestar serviços alinhados à sua profissão, como cooperativas e associações de dentistas, médicos, advogados etc;
  • Sociedade anônima (SA): empresa que tem seu capital dividido em ações com responsabilidade limitada à participação dos acionistas (pode ser de capital fechado ou aberto);
  • Sociedade limitada unipessoal (SLU): novo tipo societário formado por um único titular e criado pela Lei da Liberdade Econômica, que funciona como uma EIRELI sem capital social mínimo exigido (ou seja, o patrimônio do dono é separado do da empresa).

Quanto ao Microempreendedor Individual (MEI), a legislação considera sua natureza jurídica como “Empresário Individual (EI)”, mas com regras próprias do regime que veremos em mais detalhes adiante.

Tipos de empresa por porte

Agora vamos conferir a classificação dos tipos de empresa por porte:

  • MEI: no máximo um funcionário registrado e faturamento de até R$ 81 mil por ano;
  • Microempresa (ME): receita anual de até R$ 360 mil, no máximo 19 funcionários para indústrias e 9, em comércio e serviços;
  • Empresa de Pequeno Porte (EPP): faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões por ano, até 99 funcionários em indústrias e 49 para comércio e serviços.

No caso de empresas maiores, não há uma classificação de acordo com a lei. No entanto, há uma definição do Sebrae que estipula:

  • Empresas de médio porte: têm de 50 a 99 empregados no caso da indústria e entre 100 e 499 para comércio e serviços;
  • Empresas de grande porte: contam com mais de 100 empregados em indústrias e mais de 500, em comércio e serviços.

Qual tipo de empresa escolher?

Como você deve imaginar, a escolha do tipo de empresa que você deve abrir depende de vários fatores.

Estes são os mais importantes:

  • Número de sócios: existem empresas individuais e sociedades formadas por duas ou mais pessoas;
  • Capital social: algumas naturezas jurídicas exigem um valor mínimo de capital social, como é o caso do EI (R$ 1 mil) e da EIRELI (100 salários-mínimos vigentes);
  • Limitação da responsabilidade: nas empresas de responsabilidade limitada, os bens pessoais dos sócios não são atingidos em caso de endividamento do negócio. Já nas de responsabilidade ilimitada, os sócios podem responder por eventuais dívidas com seu patrimônio pessoal;
  • Atividades realizadas (objeto social): algumas atividades só permitem determinado tipo de natureza jurídica, como é o caso da Sociedade Simples.

No entanto, recomendamos que você consulte um contador para analisar esses critérios e indicar o tipo societário ideal para o seu negócio.

Qual regime tributário escolher?

Além dos tipos de empresa que acabamos de conhecer, também existem diferentes regimes tributários para escolher. Eles são basicamente modalidades de apuração e cobrança de impostos que variam conforme o porte e atividade do negócio.

Conheça os três principais da nossa economia:

Simples Nacional

O Simples Nacional é um regime tributário simplificado criado especialmente para as micro e pequenas empresas. Ele permite o recolhimento de vários impostos federais, municipais e estaduais em uma única guia mensal e com alíquotas competitivas — o que facilita muito a vida do empreendedor.

Podem optar pelo Simples Nacional as empresas com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões — ou seja, microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).

Já o Microempreendedor Individual possui um regime próprio, o SIMEI (Simples Nacional — Microempreendedor Individual), no qual os impostos são reduzidos e somados à contribuição do INSS em uma guia única mensal.

Lucro Real

O Lucro Real é o regime tributário mais complexo, pois os impostos são recolhidos com base no lucro líquido da empresa — o que sobrou efetivamente da receita após a dedução de todos os custos e despesas. Dessa forma, a empresa paga impostos proporcionais aos seus resultados e pode até ficar isenta caso tenha prejuízo.

O Lucro Real é obrigatório para empresas que faturam acima de R$ 78 milhões, sociedades por ações e instituições financeiras, mas qualquer empresário pode aderir ao regime se quiser.

Lucro Presumido

O Lucro Presumido é uma alternativa ao Lucro Real com tributação mais simples, pois os impostos são cobrados sobre uma estimativa da margem de lucro da empresa. Os tributos são aplicados sobre uma base de cálculo que varia de 8% a 32% do faturamento, de acordo com a presunção de lucro do segmento da empresa.

Qual o melhor regime tributário?

A escolha do regime tributário é muito importante, pois você só poderá alterá-lo no início de cada ano fiscal (1º de janeiro) — e uma opção errada pode significar impostos mais caros. Por isso, o ideal é ter a orientação de um contador, que poderá indicar a modalidade mais vantajosa para o seu negócio.

Por exemplo, as pequenas empresas conseguem simplificar seu recolhimento e reduzir a carga tributária com o Simples Nacional, mas há exceções em que o Lucro Real vale mais a pena — e só um profissional poderá analisar o seu caso.

O objetivo é enquadrar sua empresa de modo que você pague o mínimo possível de tributos, possa aproveitar benefícios fiscais e fique sempre em dia com o Fisco (órgãos públicos que fiscalizam a legislação tributária, como a Receita Federal).

💡 Saiba mais: Conheça os principais impostos de e-commerce

Preciso de um contador para abrir uma empresa?

A não ser que você esteja abrindo um MEI, sim, você vai precisar de um contador para conduzir a formalização do seu negócio. Esse profissional será responsável por ajudar você a reunir toda a documentação necessária e definir os enquadramentos legais mais adequados para o seu negócio em todas as etapas de abertura.

Afinal, uma decisão errada sobre a natureza jurídica ou regime tributário pode gerar muitos prejuízos e, com o apoio do contador, você não terá dúvidas no processo.

Além disso, ele elabora o contrato social da empresa de acordo com o quadro societário, estrutura e atividades. E claro: ajuda você a lidar com a papelada na hora de solicitar alvarás e licenças que podem ser muito burocráticas. 📑

Vale a pena abrir uma empresa no Brasil?

Mas afinal, será que vale a pena abrir uma empresa no Brasil no cenário atual? Mesmo em períodos adversos, o país é conhecido pelos altos índices de abertura de novos negócios e pela veia empreendedora do brasileiro.

Durante a pandemia do coronavírus, alcançamos nosso recorde de empreendedorismo, com mais de 14 milhões de pessoas tornando-se empreendedoras. Muitos brasileiros escolheram esse caminho por necessidade, já que o mercado de trabalho não está nada fácil e o desemprego permanece em alta.

De acordo com o Mapa de Empresas do Governo Federal, o país tem 20,8 milhões de empresas ativas em 2023. O que podemos concluir a partir desses números, é que sempre há oportunidades para empreender — o que muda são as tendências de negócios.

Se você souber escolher o segmento certo e atender às necessidades dos clientes, tem grandes chances de prosperar abrindo uma empresa. E, se precisa de um “empurrãozinho” para dar o primeiro passo, aproveite para criar a sua loja virtual grátis na Nuvemshop.

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Bônus: 5 erros para evitar ao abrir sua empresa

Agora que você já sabe como abrir uma empresa, vamos conferir os erros mais comuns que as pessoas cometem nesse processo e, principalmente, como evitá-los. Veja:

1. Não validar sua ideia

Um dos erros mais comuns dos empreendedores iniciantes é abrir uma empresa sem validar a ideia do negócio antes. Na empolgação de ter seu próprio empreendimento, você pode acabar se esquecendo do principal: oferecer um produto/serviço que, de fato, entregue valor ao público-alvo e resolva o problema do seu cliente.

Afinal, não adianta ter um produto revolucionário se não houver demanda no mercado — ou se já existirem soluções muito parecidas. Para evitar esse problema e até mesmo uma falência precoce, é importante testar a aceitação do seu produto ou serviço com potenciais clientes reais — você pode, inclusive, criar uma persona, ou seja, a representação de seu cliente ideal, para conduzir as pesquisas.

💡 Saiba mais: Buyer Persona: como identificar seu cliente ideal

2. Misturar as finanças pessoais com as finanças da empresa

Desde o início do seu negócio, você precisa ter uma conta digital bancária empresarial separada da sua conta bancária pessoal. Caso contrário, você corre o risco de prejudicar a saúde financeira da sua empresa com retiradas não planejadas — ou até mesmo comprometer todas as suas economias com o empreendimento.

Por isso, ter duas contas diferentes e contabilizar as receitas e despesas separadamente é uma regra de ouro da gestão financeira.

💡 Saiba mais: Como fazer o planejamento financeiro da sua empresa

3. Não calcular o capital de giro

Um dos maiores desafios do empreendedor é calcular corretamente o capital inicial necessário para começar um novo negócio. Muitas vezes, você foca nos investimentos para a abertura e se esquece do capital de giro, que é uma reserva financeira essencial para cobrir os custos do negócio durante os primeiros meses.

Afinal, você não terá lucro logo de cara. Será preciso passar alguns meses utilizando a reserva até chegar ao ponto de equilíbrio (ponto em que receitas e despesas se igualam) para então começar a gerar ganhos reais. Por isso, é essencial calcular esse investimento para garantir que o negócio se sustente e não fique no vermelho nesse início.

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4. Não se atualizar sobre as tendências

O mercado muda em alta velocidade e quem não acompanha esse ritmo fica para trás. Logo, se você quer ter sucesso empreendendo, precisa acompanhar de perto as tendências do seu segmento e identificar uma boa oportunidade de negócio.

Lembre-se: o que deu certo há alguns anos pode fracassar rapidamente hoje — e a mudança radical dos hábitos de consumo na pandemia é uma das maiores provas disso.

💡 Saiba mais: Veja 20 ideias para começar um negócio online

5. Não aproveitar o potencial da internet

Não poderíamos finalizar esse artigo sem lembrar você sobre o potencial da internet para o empreendedorismo. Com o crescimento surpreendente de 72% no faturamento do e-commerce, montar uma loja virtual é uma das grandes oportunidades do momento no país.

Além disso, você tem inúmeras possibilidades de divulgação do seu negócio digital com as estratégias de marketing digital, que se destacam pelos preços acessíveis, amplo alcance de pessoas e disponibilidade 24/7.

E você não precisa abrir mão da loja física para aproveitar esses benefícios — na verdade, a combinação do online e offline em um modelo omnichannel ou multicanal é o caminho mais promissor nas vendas. Então, se você está decidido a abrir uma empresa, não deixe de explorar essa mina de ouro digital.

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Tudo pronto para abrir sua empresa?

Agora você sabe como abrir uma empresa do zero para conquistar sua independência financeira. Esperamos que você tenha tirado todas as suas dúvidas e que este artigo seja uma inspiração para começar a empreender. 😎

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Aqui você encontra:

Perguntas frequentes sobre como abrir uma empresa

De modo geral, abrir uma empresa custa entre R$ 500 e R$ 2 mil, dependendo do tipo de negócio que você pretende formalizar. A forma mais barata de começar é como Microempreendedor Individual abrindo uma loja virtual, por exemplo.

O passo a passo básico para criar uma empresa do zero é analisar a viabilidade com a Prefeitura do seu município, fazer o registro na Junta Comercial, solicitar o CNPJ e inscrições fiscais, obter licenças e alvarás (quando necessário) e fazer o registro de funcionários no INSS.

A documentação para abrir uma empresa depende do tipo societário que você escolher. No geral, é necessário apresentar RG, CPF, certidão de casamento ou nascimento, comprovante de residência, declaração do imposto de renda, comprovante do endereço comercial do negócio, cópia do IPTU do imóvel, requerimento padrão da Junta Comercial e contrato social.

Se você for MEI, vai pagar menos de R$ 100 para manter seu CNPJ ativo mensalmente. Hoje, os impostos do microempreendedor individual custam pouco mais de R$ 70. Outros tipos de empresa podem encarecer o valor por causa do serviço de contabilidade e dos tributos.

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