O que é capital de giro, como calcular e dicas para gerenciar o seu

Por: Marcela Couto

close de empreendedora calculando seu capital de giro coma ajuda de uma calculadora

Capital de giro (CCG) é uma reserva financeira que a empresa precisa manter para pagar seus custos e continuar funcionando. Ela é formada pelo dinheiro em caixa, saldo da conta bancária, contas a receber e outros valores que podem ser usados para quitar dívidas e fazer investimentos.

Toda empresa precisa de dinheiro para pagar suas despesas, manter seu funcionamento e crescer. Como não dá para depender só do faturamento, é importante ter capital de giro suficiente para se garantir.

Essa reserva é usada para cobrir todos os custos do negócio e manter suas atividades durante todo o ciclo financeiro. Assim, você não precisa ficar no vermelho no intervalo entre pagamentos e recebimentos — e ainda tem dinheiro para investir no crescimento da empresa.

Será que o valor do seu capital de giro é o bastante para bancar seu negócio?

É o que vamos descobrir ao longo do artigo, que traz todas as informações para você calcular sua reserva ideal, gerenciar seus recursos e manter a saúde financeira da sua empresa.

Continue com a gente e aproveite as dicas. 💰

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Qual a diferença entre capital social e capital de giro?

É comum a confusão entre os conceitos de capital social e capital de giro para empresas. Vamos esclarecer as diferenças entre eles:

  • Capital social: é o valor que os sócios investem na abertura da empresa para custear seu funcionamento até que ela comece a dar lucro;
  • Capital de giro: é o valor que a empresa deve manter disponível de forma permanente para cobrir seus custos, manter seu funcionamento e continuar crescendo.

No caso, o capital social fica registrado no contrato social do negócio como seu patrimônio inicial. Já o capital de giro não precisa ser formalizado e pode variar conforme as necessidades da empresa ao longo do tempo.

Quando uma empresa inicia suas operações, ela precisa de mais recursos, uma vez que as vendas ainda estão começando e a receita não é suficiente para cobrir os custos. Por isso, o valor do capital social é maior do que o do capital de giro.

Assim que o negócio atinge seu ponto de equilíbrio (receitas equivalentes às despesas) e começa a dar lucro, fica mais fácil calcular o valor necessário para manter suas atividades. Então, entra em cena o capital de giro, que deve ser suficiente para sustentar as operações de forma contínua.

Para que serve o capital de giro?

O capital de giro serve para financiar as atividades da empresa e manter o caixa sempre no azul. Ele é usado para bancar os custos do negócio em condições normais e também para dar conta de imprevistos.

Alguns exemplos de custos que uma empresa tem ao longo do mês são o pagamento de salários, compras de fornecedores, contas de consumo e impostos. Além disso, é preciso ter dinheiro para lidar com uma situação de inadimplência de clientes, um reparo de urgência ou uma oportunidade imperdível de investimento.

Outro ponto importante é que o capital de giro sustenta a empresa durante todo o seu ciclo financeiro. Esse ciclo começa com a compra de mercadorias ou matérias-primas de fornecedores e termina com o recebimento do dinheiro das vendas dos produtos ou serviços.

Nesse intervalo, o negócio continua tendo gastos, mesmo sem ter recebido seu faturamento. Daí a importância de ter capital de giro suficiente para manter a empresa até a entrada dos recursos.

É claro que, quanto mais você vender, mais receita terá para bancar a empresa. Mas a tendência é que os custos e investimentos também aumentem — consequentemente, o capital de giro cresce junto com o negócio.

Conceitos importantes para entender o capital de giro

Antes de nos aprofundarmos no capital de giro e seu cálculo, é importante que você entenda alguns conceitos básicos de contabilidade que serão úteis. Confira:

  • Ativo circulante: é o conjunto de bens e direitos da empresa que podem ser transformados em dinheiro em curto prazo (em até um ano). Ele também é usado como sinônimo de capital de giro e inclui o valor em caixa, saldo da conta bancária, contas a receber, produtos em estoque etc.;
  • Passivo circulante: é o conjunto de dívidas e obrigações que a empresa deve pagar em até um ano, como contas de consumo, pagamentos de fornecedores, folha de salários, impostos etc.;
  • Ativo não circulante: são os bens e direitos da empresa que não podem ser convertidos em dinheiro tão rapidamente, como imóveis, maquinários de grande porte, investimentos de longo prazo etc.;
  • Passivo não circulante: são dívidas e obrigações de longo prazo da empresa, como financiamentos, empréstimos e obrigações fiscais.

Ou seja, os bens e obrigações circulantes são aqueles que se movimentam no dia a dia da empresa e são transacionados em até um ano. Já os não circulantes representam recursos e dívidas de longo prazo que não entram nas contas de rotina.

Por exemplo, se a sua empresa tem uma dívida, sua primeira ideia certamente não será vender um imóvel para pagá-la. Em vez de enfrentar toda a burocracia dessa transação, você deverá buscar recursos disponíveis imediatamente como o saldo da poupança ou até mesmo o dinheiro da venda de um equipamento.

Por isso dizemos que o capital de giro bruto é sinônimo de ativo circulante — bens que podem ser convertidos rapidamente em dinheiro ou já são o próprio dinheiro.

Guarde esses conceitos, pois eles serão importantes para entender os próximos tópicos!

Quais são os tipos de capital de giro?

No contexto da gestão financeira, o capital de giro pode ser dividido em alguns tipos. Confira os mais usados nas empresas:

Capital de giro bruto

Você se lembra do conceito de ativo circulante que vimos acima? Então, saiba que ele corresponde exatamente ao capital de giro bruto de uma empresa.

Ou seja: estamos falando do ativo circulante que a empresa tem, sem descontar o passivo circulante. Entram nessa soma o dinheiro em caixa, saldo da conta bancária, contas a receber em curto prazo e todos os exemplos que já vimos anteriormente.

Capital de giro líquido

O capital de giro líquido é o ativo circulante após a subtração do passivo circulante. Ou seja: todos os recursos disponíveis menos as dívidas que a empresa precisa pagar.

Logo, esse valor corresponde à reserva financeira que sobra para o negócio depois de quitar todas as dívidas.

Capital de giro positivo ou negativo

Quando a empresa tem recursos suficientes para cobrir suas despesas e seguir operando, dizemos que o capital de giro é positivo.

Agora, se o negócio não está conseguindo cumprir suas obrigações e vive com o caixa no vermelho, é sinal de que o capital de giro é negativo.

Capital de giro permanente

O capital de giro permanente é a quantia mínima de ativo circulante que uma empresa precisa ter para manter suas operações normalmente.

Esse valor varia conforme a realidade financeira de cada negócio, incluindo seus custos e receitas.

Capital de giro variável

O capital de giro variável, ao contrário do permanente, é aquele que muda conforme as necessidades e o momento da empresa.

Por exemplo, se o negócio está enfrentando uma crise ou precisa investir alto para crescer, será preciso incluir um capital adicional. Em outros momentos mais calmos, o capital de giro permanente é suficiente para manter as finanças estáveis.

Capital de giro próprio

Dizemos que o capital de giro é próprio quando ele é formado somente por recursos da empresa, sem a necessidade de recorrer a empréstimos e financiamentos de terceiros.

É o cenário ideal, já que evita o pagamento de juros e a dependência de outras fontes de receita.

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Como calcular o capital de giro em 3 passos

Entender qual o capital de giro ideal para a sua empresa é o ponto de partida para ter uma boa gestão financeira.

Afinal, todo gestor precisa saber quanto dinheiro o negócio tem e quanto está devendo para equilibrar as contas e garantir os lucros. Na contabilidade, chamamos esse cálculo de Necessidade de Capital de Giro (NGC).

Com o resultado em mãos, você saberá qual é o montante necessário para manter a empresa funcionando. O objetivo é operar sempre com o mínimo de capital de giro possível, evitando que seja preciso recorrer a empréstimos para custear o negócio.

Acompanhe o passo a passo para calcular sua NCG:

1. Calcule seu ativo circulante

O primeiro passo para calcular o capital de giro é descobrir qual é o ativo circulante da sua empresa atualmente.

Veja um exemplo:

  • Dinheiro em caixa: R$40 mil;
  • Dinheiro na conta da empresa: R$30 mil;
  • Valor do estoque: R$200 mil;
  • Contas a receber: R$150 mil;
  • Aplicação de alta liquidez: R$30 mil.

Nesse caso, o ativo circulante é de R$450 mil, somando todos os recursos disponíveis.

2. Calcule seu passivo circulante

Depois de encontrar o ativo circulante, é preciso calcular o passivo circulante.

Acompanhe o exemplo:

  • Compras de fornecedores: R$50 mil;
  • Folha de pagamento: R$130 mil;
  • Contas de consumo: R$15 mil;
  • Despesas administrativas: R$10 mil;
  • Prestações de empréstimos: R$30 mil;
  • Impostos: R$20 mil.

Logo, o passivo circulante é de R$255 mil, somando todas as dívidas de curto prazo.

Se tiver dúvidas sobre suas despesas, use nossa planilha para controle de pagamentos:

📈 Confira a planilha: Modelo para gestão de contas a pagar

3. Aplique a fórmula da NCG

Com os valores do ativo circulante e passivo circulante em mãos, você só precisa aplicar a fórmula da Necessidade de Capital de Giro:

Necessidade de Capital de giro = Ativo circulante – Passivo Circulante

Vamos calcular conforme o exemplo dado anteriormente:

NCG = R$450 mil – R$ 255 mil

NCG = R$195 mil

Isso significa que o capital de giro líquido da empresa é de R$195 mil. Ou seja: esse é o dinheiro disponível para manter o negócio girando e bancar seus custos.

6 dicas para uma boa gestão de capital de giro

Agora que você sabe como calcular o capital de giro, só falta aprender a gerenciá-lo da forma correta para manter suas finanças em dia. Confira nossas dicas:

1. Acompanhe as mudanças na sua NCG

Como vimos, existe o capital de giro permanente e o variável, porque as necessidades da sua empresa mudam com o passar do tempo.

Por isso, é fundamental calcular sua NCG com frequência para entender se a demanda por recursos aumentou ou diminuiu — um princípio básico do planejamento financeiro.

Com o crescimento do negócio, a tendência é que você precise de mais capital de giro para investir e expandir as operações.

Lembrando que, para calcular corretamente sua NCG, você precisa fazer o controle do fluxo de caixa e entender todas as suas receitas e despesas.

Use nossa planilha gratuita para facilitar essa tarefa no seu negócio:

📈 Confira a planilha: Modelo de fluxo de caixa gratuito

2. Controle a inadimplência

A inadimplência é uma grande vilã do capital de giro, porque reduz o ativo circulante da empresa e prejudica as projeções de receita.

Basicamente, você fica sem aquele dinheiro com o qual estava contando e precisa remanejar recursos para cobrir o rombo.

Logo, é fundamental acompanhar seu índice de inadimplência e ter um processo de cobrança eficiente, além de oferecer várias opções de meios de pagamento para seus clientes.

💡 Saiba mais: O que é pagamento online e por que utilizá-lo?

3. Concilie os prazos de pagamento e recebimento

O ideal é que você consiga conciliar os prazos de pagamento de fornecedores e recebimento das vendas, de forma que o ciclo financeiro seja o mais curto possível.

Para isso, negocie com seus parceiros para pagar em uma data mais próxima da entrada de receitas.

Se necessário, você também pode utilizar serviços de antecipação de recebíveis, que permitem agilizar o repasse do dinheiro das vendas quando você recebe por cartão de crédito.

💡 Saiba mais: Como funciona e como receber pagamento parcelado?

4. Prefira usar seu capital de giro próprio

Do ponto de vista financeiro, é sempre melhor ter seu capital de giro formado por recursos próprios, aplicados pelos sócios e obtidos com as atividades do negócio.

Assim, você evita ter que recorrer ao crédito ou ter que buscar outras fontes de financiamento.

Mas, se for um momento de expansão da empresa, por exemplo, pode ser necessário tomar empréstimos para crescer.

5. Tome cuidado com empréstimos para capital de giro

Se decidir pelo empréstimo para capital de giro, busque uma linha de crédito específica para o porte da sua empresa e com uma taxa de juros competitiva.

Lembre-se também de incluir a prestação nas suas despesas fixas para manter o controle do orçamento e não ultrapassar seu limite de endividamento.

6. Procure investidores para a sua empresa

Por fim, uma forma eficiente de aumentar seu capital de giro sem se endividar é conseguir investidores para a sua empresa.

Hoje, existem vários fundos de investimentos voltados a empresas em vários estágios de maturidade, além de investidores-anjo e investidores de risco que buscam oportunidades no mercado de ações e participações.

Se você estiver no ramo das startups, fica ainda mais fácil, já que essas empresas contam com o trabalho das aceleradoras e incubadoras.

Resumo

Dominando o capital de giro, você nunca terá problemas com falta de recursos para financiar o crescimento do seu negócio. Esperamos que este artigo tenha ajudado a calcular o valor necessário para a sua empresa e orientado você sobre a gestão dessa reserva.

Antes de partir para os cálculos, confira um resumo do conteúdo:

O que é capital de giro e para que serve?

Capital de giro (CDG) é a reserva financeira que a empresa precisa manter para pagar seus custos e continuar funcionando. Ela serve para financiar as atividades do negócio e manter o caixa sempre no azul.

Como calcular o capital de giro em 3 passos

  1. Calcule seu ativo circulante
  2. Calcule seu passivo circulante
  3. Aplique a fórmula da Necessidade de Capital de Giro

6 dicas para uma boa gestão de capital de giro

  1. Acompanhe as mudanças na sua NCG
  2. Controle a inadimplência
  3. Concilie os prazos de pagamento e recebimento
  4. Prefira usar seu capital de giro próprio
  5. Tome cuidado com empréstimos para capital de giro
  6. Procure investidores para a sua empresa

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