16/10/2017

Organização financeira: como investir na sua empresa de forma segura

grafico de dados organizacao financeira

Definir metas e novas estratégias para o seu negócio, além de fazer um planejamento financeiro balanceado, não são tarefas das mais fáceis. Para considerar gastos, custos e investimentos é necessário um acompanhamento cuidadoso e diário.

Pensando nisso, convidamos a economista Luciene Godoy para compartilhar suas experiências e dicas de organização financeira. Confira o bate-papo:

1. Conte-nos, primeiramente, um pouco sobre você, sua formação e experiência.

Luciene – Sou economista formada pela Unesp, com mestrado em Economia Política pela PUC-SP. Atualmente estou fazendo meu doutorado na USP, em Geografia Humana. Após concluir a faculdade, comecei a trabalhar na Bolsa de Valores e lá fiquei por 10 anos. Passei por diversas áreas, aprendi muito sobre mercado financeiro, mas sempre sob a ótica da grande empresa.

Depois de 10 anos nessa esfera, decidi iniciar outra carreira: me tornei professora de universidade – de matérias também relacionadas à economia. Aí já se foram 13 anos de muito aprendizado no dia a dia com os alunos.

Porém, há 3 anos, resolvi empreender. Junto de uma sócia, que virou uma amiga-irmã, compramos um salão de beleza em funcionamento. Agora vivo o cotidiano do pequeno empreendedor, que é um guerreiro, cheio de sonhos e de vontade de fazer seu negócio dar certo.

2. A dúvida de muitos empreendedores que ainda não têm experiência com organização financeira é saber como separar o dinheiro que será usado para fazer o negócio crescer e o que é prudente guardar para uma situação adversa. Nesse contexto, o que você considera ideal?

L – Em todo negócio é fundamental que não haja confusão entre as contas da empresa e as contas pessoais dos sócios. A conta da empresa deve ser usada apenas para as despesas da mesma. Controle financeiro é fundamental. Tudo tem que estar em planilhas, tudo! Assim, você consegue saber seu faturamento e, principalmente, ter dados para comparar seu desempenho financeiro em qualquer época.

O empreendedor é um lutador. Muitas contas para pagar, impostos, investimentos para fazer, enfim, quase nunca sobra nenhum dinheiro para nada. Ficamos felizes de pagar todas as contas e de tirar uma remuneração para o nosso trabalho à frente do negócio.

O ideal é que sempre se reserve 5% do lucro para emergências ou para investimento financeiro. O investimento no negócio vai depender muito do estágio em que ele se encontra. Negócios em fase inicial necessitam de bastante investimento, enquanto que negócios mais estabelecidos podem escalonar mais os seus planos.

Por exemplo: se estou iniciando agora meu negócio, ou comecei faz pouco tempo, por exemplo, então tenho muita coisa para fazer na empresa (reforma, consultorias jurídica e financeira, uniformes, desenvolvimento de imagem, estratégias de comunicação, de gestão e de mão-de-obra).

Agora, se o estabelecimento ou negócio já tem mais tempo de mercado, então, tenho a manutenção e talvez alguma atualização. O montante a fazer ou investir, neste caso, é menor.

3. Que conselho você daria para alguém que quer manter um fluxo de caixa saudável? O que levar em consideração na hora de montar uma planilha de gastos?

L – A planilha, além de ajudar a controlar as contas, ajuda no planejamento. É na planilha que o empreendedor vai visualizar quais as datas críticas do mês e evitar assumir compromissos financeiros extras perto desses períodos (pagamento de aluguel, salários, impostos etc).

Existem vários modelos prontos de planilhas financeiras. O Sebrae oferece alguns de forma gratuita. Tem que ter disciplina: preencher a planilha sempre e olhar para ela antes de decidir novos gastos.

Procure sempre separar os custos fixos dos custos variáveis e identifique-os nos dias do mês. Anote também o faturamento bruto, lembrando sempre que as operadoras de cartão de débito e de crédito cobram taxas pelo serviço, então aquilo que o cliente paga não será o que você receberá.

Informe tudo o que entra e sai da empresa e analise onde estão os excessos. Quando identificá-los estabeleça planos para acabar com eles. Aqui é importante ter paciência. Reconhecer os excessos é mais fácil que eliminá-los, pois normalmente o empreendedor não tem crédito disponível para fazer diversas mudanças ao mesmo tempo.

Por exemplo: identifica-se que se gasta muito dinheiro com máquinas alugadas. A solução então é comprar uma máquina, mesmo que usada. Não necessariamente dá para colocar isso em prática imediatamente. Não tem problema. O importante é estabelecer prioridades e ir eliminando todos os pontos de gargalos.

4. Quão importante é ter um fundo para emergências? E o que é realmente pode ser caracterizado como “emergência”? Por exemplo, ter a carga roubada, crise etc.

L – É importante ter um fundo para emergência, pois os empreendedores trabalham com um capital de giro muito apertado, então qualquer oscilação na demanda já dificulta o funcionamento normal da empresa.

O que é emergência depende muito do segmento de atuação. Para uma loja de roupas, por exemplo, alterações não previstas no clima impactam o negócio e talvez até consumam o fundo de emergência.

Hotéis, por exemplo, podem sofrer com notícias de violência na cidade em que estão inseridos e assim por diante. Cada segmento tem sua própria “emergência”, fora as particularidades do próprio negócio.

Em uma padaria, o padeiro decide sair. Isso abre uma situação de urgência. Para cargas normalmente há seguro, então a empresa consegue se proteger. A crise afeta todo mundo e o fundo de emergência não consegue fazer muita coisa neste caso, mas ajuda.

5. O que é aconselhável fazer diante de um cenário de desaceleração da economia?

L – Diminuir custos, aumentar a eficiência, aumentar os controles de gastos e de produtos, observar os concorrentes e continuar prestando um serviço de excelência. A pesquisa entre fornecedores, supervisão do trabalho e criatividade são essenciais para dar conta desse desafio.

6. Como saber qual é a hora certa de abrir o cofrinho e investir na expansão da empresa? E quais áreas de expansão priorizar na hora de investir?

L – Aqui é fundamental contratar uma empresa de consultoria especializada para auxiliar nessa questão. Eles são experientes no assunto e vão saber apontar se o momento é o ideal e por onde começar.

7. Qual o erro mais comum que uma empresa pode cometer na hora de decidir como investir o dinheiro?

L – Não procurar um profissional especializado para isso e ficar apenas com as informações e sugestões dos gerentes de banco. O mercado financeiro é muito criativo e cheio de empresas com possibilidades de investimento.

É fundamental escutar outras propostas de instituições, como corretoras e fundos de investimento, para ter acesso a um panorama atrativo de perspectivas. Outro erro é achar que o mercado financeiro tem fermento e que o dinheiro aumenta como em um passe de mágica.

É preciso ter muito dinheiro para investir e estar nesse estágio. Conhecer seu negócio, suas necessidades para continuar tendo sucesso, se destacar e comparar isso com investimentos financeiros é fundamental. O que for melhor deve ser executado.

8. Como se organizar financeiramente para não gastar demais e ao mesmo tempo crescer?

L – Ter paciência e olhar as planilhas citadas nas questões anteriores. Elas vão indicar se o momento é oportuno e quanto se pode gastar.

9. Algum programa ou aplicativo que você recomende?

L – Gosto muito das consultorias do Sebrae. Não conheço nenhum aplicativo para isso, infelizmente.

10. Quando existe a necessidade de uma consultoria profissional?

L – Sempre. O empreendedor precisa ter em mente que ele vai precisar de consultorias contábil, jurídica, financeira e de negócios. É claro que não utilizará as consultorias todas de uma vez. A cada mudança do mercado ou de estratégia da empresa, o empreendedor poderá ter que utilizar um desses profissionais que farão a diferença em seu negócio.

11. Qual dica final você daria para quem quer manter organizado e saudável o setor financeiro da empresa?

L – Planilhas financeiras e controle. Infelizmente, quando o assunto é dinheiro, não há outra saída.

Gostou?

Espero que essas orientações sobre finanças tenham inspirado você a continuar empreendendo e investindo na sua marca. Acredite no seu negócio e mãos à obra!

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Data da última atualização: 16/03/2018


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Raquel Lisboa

Editora de conteúdo e responsável pela gestão de parcerias educacionais na Nuvem Shop. Adora comédias românticas e musicais. É licenciada em Letras e nunca dispensa a companhia de um livro. Acredita que uma xícara de chá resolve quase qualquer problema. E, como uma boa geminiana, gosta de bater papo e falar sobre diversos assuntos ao mesmo tempo (o que é notório nesta bio!).


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