Open source: quais as vantagens e desvantagens do código aberto?

Por: Manoella Curi

Imagem de um código de programação open source.

Para ser considerado open source, um software deve ter:

  1. Distribuição livre
  2. Código fonte
  3. Trabalhos derivados
  4. Integridade do autor do código fonte
  5. Não discriminação contra pessoas ou grupos
  6. Não discriminação contra áreas de atuação
  7. Distribuição da licença
  8. Licença não específica a um produto
  9. Licença não restrinja outros programas
  10. Licença neutra em relação à tecnologia

Para se aprofundar no assunto, continue a leitura do artigo!


Open source, também conhecido como código aberto, é um modelo de desenvolvimento em que o código de um site, aplicativo ou ferramenta pode ser acessado e modificado por qualquer pessoa que tenha conhecimento em programação.

Em um primeiro momento, essa prática pode parecer ruim para a competitividade de um negócio, uma vez que a linguagem de programação utilizada estará disponível para quem quiser consultar. No entanto, existem vantagens e desvantagens que você precisa conhecer antes de fazer a sua escolha. E é isso que abordaremos neste conteúdo!

Continue a leitura e entenda tudo que você precisa saber sobre open source, além de conferir alguns exemplos do mercado. Vamos lá? 🧐

O que é open source e como funciona?

Open source, ou “código aberto”, em português, é uma metodologia de desenvolvimento em que a linguagem de programação utilizada no código fonte de um site ou aplicativo fica “aberta” para quem quiser acessá-la, modificá-la ou compartilhá-la.

O conceito e a aplicação de open source surgiram antes do próprio nome. Em meados de 1980, Richard Stallman criou o projeto GNU (General Public License ou Licença Pública Geral) ao idealizar um software que pudesse ser lido livremente por qualquer outro programador.

Anos mais tarde, em 1998, colegas de profissão de Stallman criaram a nomenclatura “open source” e formaram a Open Source Initiative (OSI), uma organização sem fins lucrativos voltada para educação e colaboração entre programadores de ferramentas open source. Ou seja, por ali os próprios desenvolvedores poderiam criar normas e licenças específicas para a distribuição de seus códigos.

O código open source nada mais é do que a disponibilização da estrutura de um código fonte em sua versão mais simples, ou seja, da maneira como foi escrito pelo programador. Assim, refere-se a uma sequência de palavras e símbolos que, quando ordenados dentro da linguagem de programação, podem ser lidos e executados.

Quando dizemos que um software tem código aberto, isso também significa que ele tem uma licença concedida pela Open Source Initiative (OSI), obedecendo todas as exigências dessa entidade, que serão descritas no próximo tópico.

O que faz um software ser open source?

De acordo com a própria OSI, existem 10 pontos fundamentais para que um software possa ser considerado open source. Neste tópico, listamos todos eles para você. Veja abaixo:

1. Distribuição livre

A ferramenta open source deve permitir o acesso integralmente gratuito, não podendo ter sua licença vendida ou permutada de forma alguma.

2. Código fonte

O código fonte que estrutura um software open source deve ser distribuído de forma simples e compilada, de maneira que possa ser lido e compreendido por qualquer outro programador.

3. Trabalhos derivados

Além das modificações, a licença open source também deve dar permissão para trabalhos que sejam derivados do código fonte. Assim, contanto que sigam os termos da licença original, essas novas versões também podem ser distribuídas livremente.

4. Integridade do autor do código fonte

Diferentemente do chamado de código livre (como explicaremos mais adiante, ainda neste conteúdo), na licença de um código open source o desenvolvedor pode solicitar que os trabalhos derivados tenham nomes ou versões que os diferenciem do original.

5. Não discriminação contra pessoas ou grupos

Como o principal objetivo do open source é democratizar o acesso a softwares e ferramentas, a licença não pode conter nenhum tipo de discriminação a indivíduos ou grupos. Assim, para acessar, basta ter os conhecimentos técnicos de programação.

6. Não discriminação contra áreas de atuação

Independentemente do segmento de atuação e nicho de mercado, qualquer empresa ou pessoa física pode ter acesso ao código open source.

7. Distribuição da licença

A licença concedida ao código original é automaticamente aplicável a todos os usuários da ferramenta open source, não sendo necessário adicionar ou renovar nenhuma informação quando o programa for redistribuído.

8. Licença não específica a um produto

O programa oferecido em open source não pode ser parte de um sistema maior que apresente restrições. Ou seja, é preciso que a licença permita a distribuição de todo o programa.

9. Licença não restrinja outros programas

Reforçando o ponto anterior, a licença open source não deve apresentar restrições a outros programas que sejam distribuídos juntos com o software que está sendo licenciado.

10. Licença neutra em relação à tecnologia

Por fim, as ferramentas de código aberto não podem exigir o uso de um determinado programa, tecnologia ou interface para que sejam acessadas e utilizadas.

Qual é a diferença entre open source, software livre e software fechado?

Como citamos anteriormente, o open source é diferente do que conhecemos como software livre ou código livre. Além disso, é importante deixar clara a diferença entre esses dois termos e o software ou código fechado, uma terceira forma de programar e desenvolver sites, aplicativos e ferramentas.

Dessa maneira, o open source garante que o código fonte possa ser lido, interpretado e modificado por qualquer pessoa que tenha conhecimento em programação. Ainda assim, este modelo garante ao autor o direito de solicitar um novo nome ou número de versão para os trabalhos que forem derivados do original.

Já o código livre segue somente os padrões da Licença Pública Geral (GNU), criada por Richard Stallman lá no início de tudo, lembra? Assim, os usuários têm a liberdade de copiar, distribuir, mudar e melhorar o software sem que seja necessário criar novos nomes e/ou versões para isso.

Por último, como o próprio nome já sugere, o código fechado tem um dono e, por isso, também é conhecido como “modelo proprietário”. Neste caso, esse responsável será o único que poderá modificar o código fonte da ferramenta, tendo exclusividade no acesso e nas melhorias.

Quais as vantagens do open source?

Agora que você já sabe o que é e como funciona um software open source, confira, neste tópico, os principais benefícios desse tipo de sistema:

Transparência

A transparência no tratamento de dados é um dos recursos mais valorizados pelas empresas e pelos clientes hoje em dia, principalmente depois que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor.

Assim, com o código aberto, os dados que estão sendo coletados em um site podem ser facilmente identificados por qualquer pessoa que acessar o sistema.

Custo reduzido

Com o código open source não é necessário pagar por uma licença de uso. Portanto, se a sua empresa tem os próprios desenvolvedores, escolher por soluções de código aberto otimiza os gastos. Isso porque serão os seus profissionais os responsáveis pela atualização do sistema, sem que seja preciso comprar uma nova versão sempre que a mesma for modificada.

Possibilidade de personalização

Assim como as atualizações, o código fonte aberto também permite que você faça personalizações nas ferramentas e aplicativos. Portanto, pessoas com bom conhecimento de programação podem editar e fazer melhorias com foco nos objetivos do negócio.

Por exemplo, se você deseja melhorar a experiência do usuário, modificar um botão de CTA (chamada para ação) e deixá-lo mais convidativo, pode fazer toda a diferença para seus resultados e para a taxa de conversão do seu site.

Colaboração entre desenvolvedores

Outra vantagem do open source é que esse modelo de desenvolvimento incentiva a colaboração e diminui a competitividade entre os profissionais da área, permitindo o aprendizado mútuo e o trabalho em equipe.

Ao realizar uma melhoria em uma ferramenta open source, o programador deixa essa otimização disponível para toda a comunidade, incentivando a troca de experiências.

Integração entre ferramentas

Enquanto as ferramentas de código fechado (muitas vezes) não permitem a integração com outros sistemas, as que se encaixam na categoria open source têm uma maior flexibilidade nessa questão. Assim, é possível adaptá-las e integrá-las mais facilmente a outros sistemas e produtos complementares.

Quais as desvantagens do open source?

Apesar das vantagens, os sistemas open source também podem apresentar algumas falhas. Por isso, é importante estar atento e conhecê-las. Veja as principais:

Correção de bugs

Ainda que o open source permita o acesso, a edição e a melhoria dos códigos, nada garante que essas atualizações chegarão a todos os outros usuários da ferramenta. Ou seja, seus desenvolvedores precisam estar atentos e atualizados sobre o uso das soluções de código aberto.

Dificuldade para leigos

Outro ponto importante é que, como falamos anteriormente, é preciso ter conhecimento de programação para manusear ferramentas que são open source. Isso porque o código fonte é disponibilizado em seu formato mais simples e cabe ao seu negócio incluir e implementar as melhorias voltadas para os seus objetivos como empresa.

Problemas de compatibilidade

Dependendo da ferramenta open source que você utilizar, podem existir restrições e problemas de compatibilidade com as configurações da sua máquina ou drivers específicos presente no mercado, responsáveis pela conversão dos dados digitais de um sistema para o equipamento que você usa.

Falta de suporte

Outro ponto de atenção ao utilizar uma ferramenta de código aberto é a falta de suporte especializado nesses sistemas, uma vez que são poucas as que disponibilizam um canal focado no atendimento ao cliente.

Atualizações não são automáticas

Assim como as correções de bugs, como o código fonte é oferecido em sua versão mais simples, os upgrades que ficam disponíveis ao longo do tempo também precisam ser feitos pelos próprios desenvolvedores da empresa. Quer entender melhor? Então confira o exemplo:

Em uma plataforma de e-commerce que opera em modelo Saas (Software as a Service), como é o caso da Nuvemshop, as atualizações do software ficam por conta da própria ferramenta, que as viabiliza automaticamente aos seus clientes. Neste caso, não é preciso ter conhecimentos técnicos ou contratar um desenvolvedor para poder usar as novas funcionalidades.

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Já quando falamos no formato open source, como é o caso do WordPress, a equipe da própria loja virtual terá que desenvolver o site e programar as futuras atualizações para conseguir usá-las.

Se quiser saber mais, baixe o nosso e-book que traz um comparativo entre as principais plataformas de e-commerce disponíveis no mercado:

Exemplos de ferramentas open source no mercado

Antes de finalizar este conteúdo e, para dar exemplos rotineiros e mais fáceis de entender como funciona uma ferramenta open source, listamos aqui algumas plataformas conhecidas no mercado que funcionam nesse modelo de desenvolvimento. São elas:

Linux

O primeiro exemplo de ferramenta open source é o Linux, um sistema operacional, assim como o Windows e o Mac OS, que permite que um computador (ou outro dispositivo móvel) execute programas para seu usuário.

Mozilla Firefox

O Moxilla Firefox é um navegador web, como o Google Chrome e o Internet Explorer, desenvolvido com a colaboração de centenas de programadores em conjunto.

Wikipedia

Com certeza você pesquisou um termo na internet e encontrou como resultado essa enciclopédia online. Este também é um exemplo de open source desenvolvido colaborativamente.

WordPress

É um sistema de gestão de conteúdos na internet livre e aberto, que permite a criação de páginas virtuais, sites de vendas e blogs online.

VLC Media Player

Também considerado como um software open source, o VLC é um media player utilizado para a reprodução de arquivos em áudio e vídeo.

Android

Sistema operacional para dispositivos móveis também desenvolvido por um consórcio de desenvolvedores em conjunto.

Resumo

E aí, conseguiu entender o que é um software open source, como ele funciona e quais as vantagens e desvantagens de adotar em seu negócio? Antes de finalizar, confira um resumo rápido de tudo que abordamos neste conteúdo!

O que é open source e como funciona?

Open source, ou “código aberto”, em português, é uma metodologia de desenvolvimento em que a linguagem de programação utilizada no código fonte de um site ou aplicativo fica “aberta” para quem quiser acessá-la, modificá-la ou compartilhá-la.

O que faz um software ser open source?

  1. Distribuição livre
  2. Código fonte
  3. Trabalhos derivados
  4. Integridade do autor do código fonte
  5. Não discriminação contra pessoas ou grupos
  6. Não discriminação contra áreas de atuação
  7. Distribuição da licença
  8. Licença não específica a um produto
  9. Licença não restrinja outros programas
  10. Licença neutra em relação à tecnologia

Qual é a diferença entre software livre, fechado e open source?

  • Software livre: os usuários têm a liberdade de copiar, distribuir, mudar e melhorar o código sem que seja necessário criar novos nomes e/ou números para isso
  • Software fechado: tem um responsável que é o único que poderá modificar o código fonte da ferramenta, tendo exclusividade no acesso e nas melhorias

Quais as vantagens do open source?

  • Transparência
  • Custo reduzido
  • Possibilidade de personalização
  • Colaboração entre desenvolvedores
  • Integração entre ferramentas

Quais as desvantagens do open source?

  • Correção de bugs
  • Dificuldade para leigos
  • Problemas de compatibilidade
  • Falta de suporte
  • Atualizações não são automáticas

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