17/12/2018

Não basta ser criativo

não basta ser criativo

Vários alunos me procuram com ideias “inovadoras” de negócio, mas o fato é que a maioria delas não são verdadeiramente diferentes.

Ou eles não procuram o suficiente para saber que existem ideias semelhantes ou são apenas pequenas variações do que há por aí – mas, claro, não o suficiente para serem consideradas uma “revolução” pelo mercado.

Muitas concepções, entretanto, são tão diferentes e criativas, que provavelmente não darão em nada, pois não se sustentam no quesito viabilidade.

A verdade é que estudantes não conseguem ter grandes ideias de ruptura porque a maioria deles não têm experiência, nem conhecimento mínimo em uma determinada área para conceber algo realmente inovador, não importa quão criativos sejam.

Contudo, essa experiência e conhecimento têm dois lados: se a falta desses requisitos não dá nenhuma credibilidade para sustentar as propostas, por outro lado, quanto mais competência adquirimos por meio de cursos, livros e trabalhos com especialistas, mais difícil fica pensar de forma diferente do que já existe hoje.

Nosso cérebro está cheio de certezas – a chamada “xícara cheia” -, não dando espaço para outras abordagens e pensamento crítico. Portanto, é importante termos conhecimento e experiência para saber do que estamos falando, mas também um espírito questionador e crítico que dê espaço para as novas ideias.

Bomba e ponte

Muita gente confunde imaginação com criatividade, por isso cabe uma breve explicação da diferença: enquanto a imaginação é a capacidade de criar pontos, a criatividade é a de conectá-los. A imaginação é natural do cérebro humano e, se alimentada desde criança, continua fértil durante a vida adulta.

Basicamente, existem dois tipos de pontos a ser ligados. Os primeiros são os gerados a partir da nossa imaginação, e os segundos são os concebidos a partir do conhecimento e das experiências. Quanto mais diversificados forem, mais criativas serão as nossas ideias.

Vamos usar como metáfora a bomba e a ponte. A bomba explode, rompe, espalha tudo. A ponte conecta, une. A imaginação é como uma bomba: necessária para romper com um padrão existente; ao passo que a criatividade é como uma ponte: estabelece uma conexão entre dois ou mais pontos de forma a fazer sentido.

Quando lança uma bomba, você está usando a imaginação, gerando coisas loucas que mudam completamente o que está acontecendo agora. Já quando usa a criatividade, você está tentando dar um sentido à bagunça que a bomba gerou, conectando fatos e dados.

Portanto, a imaginação é a matéria-prima que alimenta o processo criativo.

Se você deseja ser mais inventivo, aprenda dois passos:

  1. Faça conexões: quanto mais incomuns e estranhas, melhor. Você deve descobrir como criar uma ligação entre o funeral de sua tia querida com a nova marca da escova de dentes lançada no mercado. Grandes relações criativas unem duas ou mais situações em sua memória que, inicialmente, não possuem muito sentido;
  2. Aumente o número e a variedade dos pontos em sua mente: ou seja, o seu repertório de bombas. Para isso, viva diferentes experiências, aprenda outros idiomas e culturas, viaje para países exóticos, leia sobre assuntos incomuns etc – ações que não têm nada a ver com sua vida atual, mas que ajudarão a preparar o seu cérebro para o próximo passo: a inovação.

Inovação

A inovação acontece quando percebemos que, por trás dessas conexões, existe uma causa, um propósito e um resultado tangível. É esse valor que diferencia a criatividade artística da criatividade inovadora. As artes expressam os sentimentos e visões do próprio artista, enquanto a inovação sempre tem um valor percebido pelos outros.

Quando a inovação acontece, os pontos conectados abrem caminhos para inúmeras possibilidades de gerar valor. É por isso que a maioria das revoluções vêm de laboratórios científicos: locais onde novos conhecimentos são gerados constantemente, portanto, mais possibilidades de conceber conexões relevantes.

Por fim, os negócios inovadores acontecem quando surge um caminho para transformar esse valor percebido em uma corrente contínua de receita e crescimento. É importante saber que todo esse fluxo não está necessariamente em uma única pessoa ou empreendedor.

Pode-se ser imaginativo, mas sem experiência ou conhecimento, não conseguirá fazer conexões significativas. Do mesmo modo que, sem habilidades de negócios, sua inovação ficará presa em um laboratório ou no máximo em uma patente, e você se contentará com os royalties recebidos de uma grande corporação que utiliza sua patente.

Logo, protagonismo se dá com um conjunto de pessoas com diferentes habilidades que se unem para construir um projeto inovador – cada um deles contribuindo com a sua própria maestria que complementa a de outros.

Se a sua equipe tiver pessoas com rica imaginação, conhecimento, experiência prática, criatividade e visão de negócio, então você estará pronto para liderar a próxima inovação de ruptura que mudará o mundo!

Data da última atualização: 11/01/2019


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Marcos Hashimoto

Marcos Hashimoto

Professor de Empreendedorismo da Universidade de Indianapolis e co-fundador da Polifonia, escola de Protagonismo Criativo de São Paulo.