16/11/2017

Mindfulness: explore o seu potencial de forma consciente e significativa

mulher meditando na montanha mindfulness

Uma das práticas mais bem avaliadas nos programas da Polifonia é o check in: um exercício de presença realizado antes de iniciar cada encontro, no qual os participantes (sentados em círculo) relatam como foi o dia de cada um, com qual estado estão chegando à sessão e porque estão lá naquele momento.

Os depoimentos são muito breves, mas são cinco minutos que a pessoa tem a chance de se desconectar de tudo o que aconteceu no seu dia para estar plenamente concentrado na sessão que vai se iniciar; sem que pensamentos, emoções ou ações interfiram no seu aprendizado.


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A desconexão

Esse exercício de desconexão com o antes e o externo – e conexão com o agora e o aqui – é uma das várias práticas que estimulam o mindfulness. Mindfulness é um conceito originado na tradição budista, que evidencia a clareza de consciência do mundo interior e exterior, incluindo emoções, pensamentos e ações.

Pessoas com mindfulness compreendem que influências externas podem afetar o seu julgamento e gerar vieses de interpretação da realidade – nossa percepção filtra nossa capacidade cognitiva de analisar a realidade à nossa volta.

A expansão

Quando você está em um estado de mindfulness, seu foco está no aqui e no agora. Sua consciência é expandida a ponto de compreender claramente todas as conexões que existem entre você e o ambiente à sua volta. Isso inclui a relevância e a pertinência das pessoas, objetos e cenários daquele momento e como você se insere nesse contexto, compreendendo a unicidade desse conjunto.

Pessoas mindful conseguem desconectar seus pensamentos dos fatos, julgando eventos e situações sem interferências de seu ego, isolando os efeitos de sua carga emocional e experiências passadas.

A observação

Uma das formas de avaliar se você é mindful é pela natureza do seu trabalho: você sente que uma boa parte do seu dia você está no automático, realizando as atividades de forma mecânica? De vez em quando sente que está com a cabeça em outro lugar e se dispersa com facilidade, sentindo-se distante e desconectado? Você com frequência tem dificuldade para se concentrar em uma tarefa ou atividade? Você apenas cumpre o que foi dito para fazer, sem saber o significado do que faz? Sofre de ansiedade sobre algo que pode acontecer? Fica se remoendo por ocorrências passadas? Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, a prática de mindfulness vai te ajudar bastante na vida e no trabalho.

A prática

O treinamento de mindfulness envolve o exercício da prática da desconexão do seu dia a dia, passando pela limpeza do pensamento – fatos que podem afetar o julgamento da situação. Existem várias formas de praticar esse estado mental: da meditação (o caminho mais clássico), uma pequena oração no início da manhã, uma pausa para um café no meio do dia, exercícios simples de respiração e concentração.

Você também pode treinar sua concentração lendo um livro em um ambiente barulhento e cheio de distrações. Ajuda muito também, na prática da observação sistemática, sentar-se em um local público e prestar atenção em todos os detalhes à sua volta: móveis, cores, cheiros, pessoas, movimentos, texturas etc.

O estudo

Com 14 estudos sobre mindfulness, a conferência anual da Academy of Management, em Atlanta (EUA), bateu o recorde de artigos e demonstra que o interesse pelo tema só cresce na comunidade acadêmica.

A AOM é a principal conferência sobre gestão de negócios e administração de empresas no mundo. Os estudos sobre mindfulness este ano abordaram a harmonia entre trabalho e vida pessoal, estresse, satisfação, desempenho individual, equilíbrio emocional, liderança, trabalho em equipe e ambiente corporativo.

Uma das pesquisas, por exemplo, demonstrou que equipes que praticam mindfulness se concentram melhor em situações de estresse e produzem resultados melhores do que outros grupos.

Outro resultado constatou que pessoas com mindfulness são mais propensas a regular suas emoções, pensamentos e comportamentos e, consequentemente, menos afeitos a reagir negativamente a eventos de adversidade, como quebra de contrato, mal atendimento ou injustiça.

E um dos estudos foi particularmente interessante: pesquisadores analisaram a relação entre essa prática e a liderança servidora. Líderes mindful exercitam a empatia com seus funcionários e tendem a ser mais servis.

O líder servidor é uma tendência crescente nas organizações, um conceito que parte do pressuposto que o dirigente de equipes experientes só está lá para garantir a harmonia; já que cada um, individualmente, sabe realizar bem suas tarefas e não requer supervisão direta.

Esse líder tem plena consciência do todo como grupo e de seu projeto e age para garantir que haja menos interferências ou desarmonia, servindo sua equipe com autoridade e poder para executar bem suas tarefas.

Embora mindfulness seja mais relevante no desempenho em tarefas repetitivas e, coletivamente, em integração de times, o efeito se manifesta com mais frequência em situações inesperadas, sobretudo em eventos de crise.

Um estudo analisou 102 chamadas recebidas pelo 911 nos EUA durante o ataque terrorista ao World Trade Center e verificou que os atendentes que mais conseguiram salvar vidas foram aqueles que, mais do que estarem calmos diante do trágico momento, conseguiram também se colocar no lugar das vítimas e dar orientações precisas dentro das circunstâncias de cada um e souberam tomar decisões rápidas.

O locus de controle

Um dos aspectos mais valorizados nos estudos sobre as características e traços empreendedores é o chamado locus de controle: a capacidade de controlar o próprio futuro e ser ator ativo de realizações e conquistas.

Essa competência remete à crença de que não existe sorte, nem acaso – tudo o que o empreendedor consegue é fruto de suas ações e decisões. O locus de controle é desenvolvido pela prática do mindfulness. Através da consciência do seu nível de controle e do seu poder de interferência sobre o ambiente, o empreendedor toma melhores decisões e age proativamente em favor das transformações que promove.

Temos trabalhado muito em desenvolver o nosso saber e fazer. O exercício de mindfulness o levará a um novo patamar de desenvolvimento pessoal – o “ser” – fundamental para qualquer profissional que deseja saber como melhor aplicar seu conhecimento, habilidades e competências de forma consciente, significativa e relevante ao seu atual momento e ambiente.

Data da última atualização: 29/08/2018


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Marcos Hashimoto

Professor de Empreendedorismo da Universidade de Indianapolis e co-fundador da Polifonia, escola de Protagonismo Criativo de São Paulo.


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