21/12/2018

Como um governo pode ajudar a desenvolver a economia

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Quase todo dia você vê nos noticiários a informação de que o governo aumentou a taxa X, que diminuiu a taxa Y. Isso pode te levar a pensar: será que os governos realmente influenciam tanto assim no desempenho da economia?

Há anos o Brasil tem funcionado com base em uma espécie de sistema capitalista intervencionista. Em outras palavras, apesar de estarmos em um sistema capitalista, este sofre frequente intervenção do governo.

Este modelo tem seus altos e baixos. Uma vez que ainda somos um país em desenvolvimento e com alta taxa de desigualdade social, o governo acaba destinando boa parte de seus recursos aos programas sociais como o Bolsa Família para a população de baixa renda.

Por outro lado, uma economia nacional bastante vinculada ao Estado, costuma ficar muito dependente do governo vigente. Isso pode tornar o mercado mais “travado” do que deveria, deixando-o menos competitivo e com oferta de produtos e serviços mais caros.

Governantes podem tomar medidas desastrosas e impactar negativamente a economia e a sociedade. Mas o fato é que, por incrível que pareça, na maioria das vezes isso só é percebido depois de alguns anos, mais precisamente entre cinco e oito anos.

Ou seja, se o seu país está na crise hoje, é muito provável que o culpado não seja o governo atual, por mais impopular que ele seja, mas, sim, o que esteve no poder anteriormente e não tomou as medidas necessárias para evitar uma recessão.

A economia em ciclos

Segundo Ray Dalio, investidor bilionário americano que previu a crise de 2008, a economia segue dois tipos de ciclos de desenvolvimento, o short term debt cycle (ciclo de dívida de curto prazo) e o long term debt cycle (ciclo de vida de longo prazo) – ambos costumam ocorrer em praticamente todos os países capitalistas do globo. Neste artigo, nós vamos falar sobre o primeiro.

O short term debt cycle ocorre porque, quando o governo e os bancos facilitam o crédito e incentivam o consumo, a população tende a tomar mais empréstimos. Neste momento a economia se aquece, pois as pessoas estão gastando o dinheiro que acabaram de receber. Essa é a hora em que você troca a sua TV por uma maior, troca seu carro popular por um melhor e até leva a família para viajar para a Disney. O governo parece ótimo e, se você foi pobre um dia, já não se lembra.

Porém, toda essa dívida contraída pela população – seja por meio de empréstimo no banco ou financiamento de 360 parcelas de um carro novo – acaba tendo um efeito devastador na economia em um curto prazo.

Os motivos disso são um tanto óbvios: por ter adquirido coisas a prazo ou através de empréstimos que não aumentaram os seus rendimentos (isso é, não contribuíram para sua conta bancária crescer), você agora vai ter que “apertar os cintos” nos próximos anos e reduzir os gastos para conseguir quitar as parcelas infinitas do seu carnê ou cartão de crédito. Eu sei que você, assim como eu, já se viu nessa situação.

É esse o momento em que o consumo cai e a economia desacelera. Com menos demanda as indústrias tendem a cortar funcionários, o desemprego cresce e, junto com ele, a insatisfação da população com o governo – que às vezes acabou de entrar e nada tem a ver com a crise econômica.

Tal governo então é pressionado tanto por parte da indústria que está tendo prejuízos, quanto por parte da população desempregada para que interfira na economia novamente e melhore a situação. Nessa hora podem ser tomadas certas medidas populares como uma que talvez você já tenha visto, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

As pessoas então voltam a comprar, a economia se aquece e lá vamos nós de novo… mais um ciclo de cinco ou oito anos de alta seguido de crise. Uma história que nunca termina.

Mas por que as pessoas não investem o dinheiro do empréstimo em algo que as faça lucrar? O primeiro motivo é simplesmente porque elas não sabem; o segundo é: por grande parte da população ser de baixa renda, quando esta tem acesso ao crédito, muitas famílias optam por reformar sua casa, comprar móveis melhores ou adquirir um carro pois moram muito longe do trabalho – ou fazem outras coisas para melhorar o conforto no dia a dia. Afinal, se fosse você, preferiria arriscar investindo em um negócio próprio com chances de dar errado ou arrumar a goteira no teto do seu quarto?

Como então acabar com essa situação? Segundo Dalio, é esse tipo de decisão que o governo precisa acertar: dar opções de crédito para pessoas e empresas investirem no aumento da produtividade, seja na indústria ou para novos empreendimentos, como lojas virtuais.

O aumento da produtividade tem a capacidade de não só gerar mais produtos, como gerar mais empregos e consequentemente aumentar o consumo, mantendo a economia aquecida por mais tempo.

Entretanto, tais medidas levam alguns anos para surtirem efeito. Imagine que hoje você decida abrir um negócio: considerando todas as etapas de planejamento e execução, provavelmente ele só começará a dar lucro e você precisará contratar mais funcionários dentro de três a quatro anos. Isto é mais tempo do que dura um mandato de presidente. Portanto, o governo geralmente está mais interessado em ações que aumentem instantaneamente sua popularidade, principalmente próximo à época de eleições.

Empreender para mudar

Agora que você já sabe como esse ciclo funciona, lembre-se de como, apesar do intervencionismo, investir corretamente o dinheiro de empréstimos pode melhorar sua situação financeira de verdade. 😉

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Data da última atualização: 21/01/2019


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Renata Estevo

Renata Estevo

Renata é formada em relações internacionais e pós-graduanda em gestão de marketing. Trabalha como consultora de e-commerce na Nuvem Shop, adora colecionar cartões postais, não perde um jogo do seu time do coração, o Chelsea FC, e também não passa um dia sem usar o Pinterest.